Seguir

Embora não saiba para onde seguir,
sinto que a brisa que me toca sopra do leste.
Uma orientação desorientada.
Observo sem conseguir reagir a nada.
Mas na inércia que me paralisa ainda existe uma mente pulsante.
Vida que segue.
Talvez haja mais felicidade no que está por vir.
Embora o céu pareça carregado e a tempestade ameaçadora,
precisamos acreditar que há paz acima das nuvens.
Nada dura para sempre.
Que saibamos observar e aprender com os ciclos da vida.

Carnaval

Continuaremos a dançar por quanto tempo?
Até quando seremos um povo que festeja alheio ao que ocorre ao redor?
Não sei se sobrou algo para se rir.
É possível haver alegria quando se carece de todo o resto?
Quantos palhaços ainda permanecem no salão?
Em breve a festa terá acabado.
E se nossa ressaca demorar muito a passar, não haverá mais tempo suficiente para honrar o pouco do pão que ainda nos resta deste circo chamado Brasil.

2015

2014 termina para o bem e para o mal
Deixando saudades para alguns, alívio para outros.

2014 termina apesar da luta não ter chegado ao fim,
Das histórias de amor que ficaram em pausa,
Dos sonhos que não aconteceram.

2014 termina com os amigos
Que não encontraram tempo para ser ver,
Com os que se foram para sempre
E os que chegaram há pouco.

Mas apesar de tudo, temos a certeza que 2015 chegará
E trará um novo recomeço,
Que só depende de nós para ser belo e próspero
Pois nossas atitudes e posicionamentos
São os agentes de nossa história,
Que requer coragem, otimismo, perseverança, e fé!

Feliz novo recomeço!

Tsunami

Quero ser um tsunami na sua vida:
Afogar-te com beijos,
Cobrir-te de abraços
Para que quando já sem forças
Você parecer se entregar,
Eu possa lhe resgatar
E lhe dar a paz
Que advém da tempestade
De emoções que é o nosso amor!

Ventre

E de repente fez-se noite
No que havia de mais sagrado
E um rio de lágrimas transbordou
Das entranhas do ventre já abandonado
Numa correnteza forte e avassaladora
Que com sua fúria devastou os vales e as plantações
Semeados ao longo de uma existência que se esvaiu,
Submergindo aos poucos na escuridão
Fria e solitária do rio da vida.

Desapego

Começo finalmente a despir-me.
Peça por peça.
Vou tirando o que já não serve, jogando fora o que não se adequa mais ao meu momento atual.
A princípio é sofrido e custoso deixar certas coisas para trás, com suas lembranças e cheiros tão carregados de histórias e sentimentos.
Mas com o passar do tempo o alívio nos acalentará, afinal não será mais preciso ostentar ou fingir.
Ao final, quando estiver completamente nua, não sei qual será a sensação ou o gosto que levarei comigo.
A única certeza será a de liberdade por ter vivido e expressado as verdades que me eram tão caras.